Filipa Veiga

Diz-me onde moras é uma espécie de portugueses pelo mundo. Uma nova rubrica onde peço a famílias portuguesas para me contarem um pouco do seu dia a dia, da sua cidade e daquilo que gostam de fazer em família.

A nossa primeira convidada é a Filipa que do outro lado do mundo nos conta como se vive e respira Bali. Espero que gostem!

Mudei-me com a minha família há dois anos e meio para Bali, mais concretamente Ubud, uma pequena vila onde a espiritualidade é uma forma de vida. Viver na Ilha dos Deuses é isso mesmo, é estar mais perto dos deuses e de uma conexão com a essência que na Europa esquecemos, preocupados que estamos com um estilo de vida mais material e de conquista de poder.

Quando se muda para um sítio onde a vida espiritual está no dia-a-dia dos locais, quem para aqui vem passa a viver dessa forma também. É uma mudança incrível nas nossas vidas e na maneira de estar, mesmo para mim que já praticava yoga e seguia um estilo de vida mais conectado com a Natureza já em Portugal.

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Hoje por exemplo, no momento em que escrevo este texto (21 de Março), estamos em casa, os 4, sem mais ninguém, sem poder sair, nem fazer barulho. Hoje comemora-se o Nyepi, o primeiro dia do calendário balinês, que é um dia de silêncio, meditação e jejum. Assim se começa o ano novo em Bali. Todas as pessoas estão em suas casas e não há barulho nenhum à nossa volta, senão o de uma Natureza rica e tropical. Até o aeroporto está encerrado.

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E eu pergunto-me como seria se em todo o mundo tivéssemos um dia, apenas um, em que todos parássemos para meditar, reflectir no que somos e as razões que nos levam a estar aqui e afinal, para que serve a vida. Seria uma transformação muito grande na forma como encaramos a vida.

As minhas duas filhas, a Carlota de 8 anos e a Johanna de 6, têm a sorte não só de estar a crescer num sítio assim como também de frequentar a Green School, uma das escolas mais especiais do planeta.

 

Uma escola que não tem como objectivo principal fazer futuros médicos ou advogados, mas sim seres humanos completos que saibam usar não só o intelecto mas acima de tudo o coração. Com esta ferramenta crescem de uma forma mais harmoniosa e capaz de serem um dia seres completos e, aí sim, serem os profissionais capazes, no ramo que escolherem, de tomar decisões acertadas e não baseadas no medo, insegurança ou competitividade. Nesta escola há crianças de todo o mundo porque um sistema assim atrai pais que não estão satisfeitos com um ensino que não faz ninguém feliz, nem crianças nem pais. E vivemos assim no ceio de uma comunidade que quer mudar o planeta - porque é possível - fazendo um trabalho diário de tomada de consciência na forma como podemos juntos alterar o que sabemos que está errado e tem de ser mudado sob pena de nunca sermos felizes ou de destruirmos por completo o nosso bem mais precioso, a mãe natureza.

Pediste-me para contar um dia da nossa vida aqui. Na realidade quando somos mães os nossos dias são semelhantes em todo o mundo. Eu continuo a acordar de manhã e vestir as minhas meninas, prepará-las para a escola, fazer compras, buscá-las e trazê-las do ballet ou das aulas de línguas. A grande mudança não está nas pequenas logísticas do dia-a-dia que, como mães, são sempre difíceis e cansativas. Mas se eu aprender a acordar de manhã e olhar no espelho e dizer a mim própria que este vai ser mais um dia neste planeta lindo com tantas cores, cheiros e sons, que a minha vida é uma bênção, que devo aceitar-me tal como sou e que os momentos difíceis são apenas etapas de algo muito maior, então a minha vida começa a mudar para um espaço onde a felicidade interior é possível. É assim que os balineses vivem, abençoados pelos deuses a quem agradecem todos os dias, sejam os bons como os maus, por este preciso momento e pelo presente que todos temos que é estar aqui e agora!

Sigam viagem com a Filipa no seu blog: Yoga-me.


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