Rir para não chorar – a escolha do jardim de infância

Gostava de partilhar convosco o que me tem tirado o sono nos últimos tempos… a busca incessante por um jardim de infância que reúna alguns critérios que considero básicos para esta nova etapa.

Não tem sido fácil… encontro muitas regras, padrões e fichas! Encontro massificação, autênticos depósitos de crianças e falta de vontade em “fazer diferente”… encontro algumas pessoas que se sentem como eu, mas a maioria resigna-se com a oferta e com os preços… quem pode pagar fica muito feliz com a música, ginástica, inglês… quem não pode, não tem poder para argumentar… confesso que esta “selecção natural” e alguma inércia me tira do sério.

Fiz questão de vasculhar quase tudo na minha área de residência. Desde paróquia a colégio estupidamente caro… nada. Não gosto de nada, nada me transmite confiança. Cheguei a achar que tinha de o levar para Lisboa, mas só de pensar na logística, dá-me vontade de fugir…

Tenho até Setembro para me decidir. Acredito que o que faz uma boa creche são as pessoas que lá trabalham. São com elas que os nossos filhos vão passar a maior parte do dia… são delas que eles se vão lembrar, são elas que vão marcar a diferença. Mas nós não as conhecemos…

Para não se sentirem sozinhos 🙂 reuni um conjunto de factores a ter em conta quando visitamos uma creche ou jardim de infância. São eles:

  • Espaço/Ambiente - pode não ser decisivo para alguns pais, mas para mim é. Aspectos que devemos ter em conta: pisos térreos, interiores arejados, com boa disposição solar, luz natural, amplos. A pergunta que podemos fazer é, como me sentiria se passasse um dia inteiro ali? Como sentem o ambiente?
  • Ninguém conhece melhor os nossos filhos do que nós, ele sentir-se-ia bem ali? Se é uma criança com muita necessidade de extravasar, ter atenção à dimensão do recreio (exterior) pode ser decisivo.
  • Número de crianças, educadoras e auxiliares por sala - muito para além de nos focarmos no número, tentar perceber dinâmicas e rotinas. Saber o horário dos elementos da equipa. Não me interessa serem muitas pessoas por sala se só asseguram almoços e lanches...
  • Em relação às rotinas... são feitas planificações antecipadas? Porquê?
  • Deve ser feita mais que uma visita e a diferentes horas do dia.
  • Tentar perceber se os pais podem aparecer em qualquer altura sem se fazerem anunciar. Se por alguma razão sentirem que vos estão a dificultar o acesso, devem tentar saber o motivo, devidamente justificado.
  • Caso existam sestas, saber se são de carácter obrigatório e se existe um espaço destinado em exclusivo às mesmas.
  • Observar o espaço é importante, observar as pessoas que lá trabalham é imprescindível.
  • Quais são as metodologias e actividades desenvolvidas ao longo do dia, rotinas? existe equilíbrio entre actividade estruturadas e o jogo livre (brincar)?
  • Perceber o motivo de selecção de grupos, sejam eles homogéneos ou heterogéneos.
  • Como é que fazem a gestão e adequam as actividades às diferentes faixas etárias?
  • Procurar esclarecer a diferença entre o projecto educativo e projecto curricular.
  • Higiene - Olhos de raio x no refeitório e principalmente nas casas de banho.
  • Alimentação - confeccionam menus adequados a crianças com hábitos alimentares específicos? Ementa variada? Pão com tulicreme, sumos de pacote ou sobremesas são do tipo de coisa que não gosto de ver numa ementa... muitas creches dão a possibilidade de levar comida de casa. Explorem as possibilidades, sugiram alterações e decidam em consciência. Admito que este é um dos nossos calcanhares de Aquiles... fico atónita com a inflexibilidade das instituições nesta matéria. Uma família vegetariana por exemplo, encontra escassas respostas que vão ao encontro da sua escolha alimentar... ainda temos muito a fazer nesta matéria.
  • Impressão/opinião de outros pais/amigos em relação à creche, sempre com a ressalva de que o que resulta com o filho deles pode não resultar com o nosso.
  • Tentar perceber como são aconselhados os pais a agir no período de adaptação/separação da criança.
  • Se ainda for o caso, questionar a educadora sobre a abertura para a amamentação, co-sleeping, fraldas reutilizáveis e ainda como têm por hábito fazer o desfralde.
  • Em saídas ou passeios, caso as crianças não possam ir por algum motivo, a instituição assegura o dia a essa criança? Como e onde?
  • Como age a educadora em caso de conflito entre crianças ou em caso de confronto com o adulto?
  • O valor da mensalidade está adequado ao meu orçamento? as actividades/alimentação estão incluídas?
  • Necessidade de prolongamento, valor?
  • Dias de férias?

Espero que esta lista vos ajude. Desejem-me sorte 😉

Alimentação Bebé Parentalidade Vida de Mãe

4 comentários

4 comentários

  1. frascodememorias comentou:

    3 Junho, 2015 às 15:31

    Senti-me mesmo assim quando mudei de cidade e tive de encontrar a escola para a Beatriz.
    Às vezes, depois de todos os passos que estão tão bem escritos, tem de trabalhar a intuição.
    Depois de uma experiência desastrosa no privado, que tinha tudo para correr bem: espaço incrível, alimentação excepcional, boa fama nacional, 15 alunos na sala (uau!)... mudei a Beatriz para uma escola pública: são 25 alunos na sala, mas a dinâmica e a professora e toda a equipa são extraordinárias - muito dinamismo cultural e muita sensibilidade!
    Muito boa sorte!
    É muito importante deixá-los bem, felizes e a evoluir.
    Um abraço!
    Ana

  2. Marta Nabais comentou:

    5 Junho, 2015 às 15:06

    Ana, obrigada pelo seu testemunho! Vamos ver o que o futuro nos reserva.
    Um beijinho para a Beatriz 😉

  3. Da Cor das Cerejas comentou:

    24 Junho, 2015 às 10:43

    É das decisões mais complicadas que uma mãe tem de fazer...
    http://www.dacordascerejas.com/obrigado-as-pessoas-que-cuidam-das-nossas-criancas/
    Boa sorte! Vai correr bem 😉

  4. Marta Nabais comentou:

    7 Julho, 2015 às 13:03

    Obrigada Carla!
    É mesmo uma decisão complicada! Mas estamos confiantes 😉
    Tudo de bom com a família 😉

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