DIU de cobre

O DIU de cobre é a escolha de muitas mulheres que procuram uma solução contracetiva não hormonal. Oferece uma eficácia acima dos 98% – sendo que há dados que apontam para uma percentagem de apenas 0,6% de falha.

DIU significa Dispositivo Intra-Uterino e é basicamente isso: um pequeno dispositivo de plástico envolvido em cobre e em forma de T, colocado na cavidade uterina pelo médico ginecologista (habitualmente durante ou no fim de uma menstruação, para garantir que a mulher não está grávida, apesar de também poder ser colocado em qualquer altura do ciclo menstrual).

DIU de cobre Os fios do DIU ficam acessíveis através do colo do útero e localizados ao fundo da vagina, para que possa ser removido quando for altura ou a mulher assim o decidir. (Podes ver uma animação sobre a colocação do DIU de cobre aqui.) Uma vez colocado na parede do útero impede a nidação do óvulo fecundado – o que só por si, convém esclarecer, não faz dele um método abortivo pois para haver aborto tem de haver gravidez e, para haver gravidez, tem de haver implantação uterina (processo que o DIU antecipa e impede). Existem várias marcas em Portugal, sendo que uma delas é um DIU de cobre e prata.

Se estas 4 frases correspondem à tua realidade, a colocação do DIU de cobre pode ser uma boa opção para ti:

  1. Não quero ter de pensar no assunto* (*gravidez, menstruação, janela fértil, etc.)
  2. Quero um contracetivo de longa duração (mín. 1 ano)
  3. Sou ginecologicamente saudável (não sofro de dores menstruais, menstruações fortes, IST’s ou doença inflamatória pélvica, e não tenho alterações uterinas – útero bicorno ou outro; miomas, quistos, etc.)
  4. Lido bem com a ideia de ter alterações no padrão menstrual (menstruar durante mais tempo, mais fluxo, etc.) pelo descanso que vou ter a outros níveis

O DIU de cobre apresenta como principais vantagens:

  • Contracetivo não-hormonal
  • Não necessita manutenção específica (com uma durabilidade que varia entre 1 e 10 anos)
  • Não necessita de nenhuma ação específica, por parte da mulher, para que funcione (uma espécie de “coloca e esquece”)
  • É reversível (podendo ser retirado a qualquer altura numa consulta de ginecologia)
  • É mais barato que o DIU hormonal (SIU)
  • Em vários países, a sua colocação pontual, nos 5 dias após uma relação sexual desprotegida, serve como contraceção de emergência alternativa à pílula do dia seguinte
  • É um contracetivo de longa duração (pode durar até 12 anos, dependendo da marca utilizada apesar de não haver consenso entre países. É exemplo disso o DIU Nova T380, indicado em Portugal até 12 anos, 10 anos nos EUA mas apenas 8 no Reino Unido.)

Quem pode usar?

  • Mulheres que já tiveram filhos (apesar de em vários países estar também indicado para mulheres sem filhos e jovens; nos EUA, a sua utilização aumentou em 75% comparativamente a 2008 desde que foi aprovado para este grupo)
  • Mulheres adultas sem filhos com avaliação e histórico ginecológico favorável
  • Mulheres com diabetes
  • Fumadoras acima dos 35 anos
  • Mulheres com VIH/SIDA (se medicadas e estáveis em termos de saúde)

Quem NÃO pode/deve usar?

  • Mulheres grávidas ou em puerpério
  • Mulheres com doença inflamatória pélvica ativa ou recorrente (no caso de evento único a situação deve ser avaliada)
  • Mulheres que tomam medicação (imunossupressora, corticoesteróides sistémicos ou anti-coagulantes)
  • Mulheres com hemorragias ou perdas de sangue cuja origem não está identificada
  • Mulheres com anemia crónica (Talassemia e Drepanocitose incluídas)
  • Mulheres com alergia ao cobre ou Doença de Wilson
  • Mulheres com fibromas uterinos que deformem a cavidade uterina e/ou anomalias morfológicas do útero
  • Mulheres com infeções sexualmente transmissíveis (IST’s)
  • Mulheres que sofram de menorragia (fluxos menstruais abundantes)
  • Mulheres com neoplasia do colo ou do endométrio
  • Mulheres com cervicite
  • Mulheres com cancro de mama
  • Mulheres que estejam em menopausa há um ano (o DIU deve ser retirado após esse período de tempo)

Como funciona?

  • O mecanismo primário do DIU de cobre é a prevenção da fertilização do óvulo através de uma reação citotóxica inflamatória: a concentração de cobre no muco vaginal das mulheres que utilizam este DIU é elevada e esta leva à inibição da motilidade do esperma.
  • Os iões de cobre provocam alterações também ao nível do tecido endometrial, alterando assim a qualidade e a viabilidade do esperma.
  • Alguns estudos revelam ainda que a ação do DIU também ocorre ao nível da hormona hCG, dificultando ou impedindo a implantação uterina do óvulo fecundado.

Quais os riscos?

  • O mais imediato, e com uma taxa de incidência de 1-2 em cada 1000 inserções, é o de perfuração uterina.

DIU de cobre

  • expulsão do DIU ocorre habitualmente durante a menstruação e é acompanhada de dores fortes e hemorragia (mulheres com menos de 20 anos e sem filhos compõem o grupo de maior risco)
  • A ação inflamatória dos iões de cobre pode resultar na migração do DIU para a zona da bexiga ou do trato gastro-intestinal

DIU de cobre

  • A menorragia, ou seja, fluxo menstrual mais abundante – as menstruações tendem a apresentar um aumento que ronda os 50% de fluxo e fazerem-se acompanhar de dismenorreia (dores menstruais). Este aumento no fluxo nem sempre origina anemia significante mas as evidências científicas demonstram, após um ano de utilização, uma diminuição nas reservas de ferro nas utilizadoras de DIU. Estima-se que até 15% das mulheres faça a descontinuação do uso do DIU no primeiro ano devido ao aumento do fluxo e das dores menstruais (uma vez que a toma de anti-inflamatórios não-esteróides não costuma debelar as dores por completo).
  • Gravidez ectópica: 1 em cada 30 gravidezes ocorridas em mulheres com DIU são ectópicas – i.e. deslocadas do espaço uterino e localizadas numa trompa. Estas são situações de emergência que podem comprometer a saúde da mulher e devem ser acompanhadas como tal.
  • Infeção pélvica: estima-se que ocorra em 2% das mulheres por questões relacionadas com ambiente não-assético durante a colocação do DIU ou por existência de IST em curso, que desenvolve com a presença do dispositivo.

O que (mais) precisas saber:

Antes de mais, convém recordar que nenhum contracetivo (hormonal ou não) é isento de riscos e que este, em concreto, não te protege de IST’s pelo que a utilização do preservativo não está dispensada em todos os casos.

O cobre é um mineral essencial à nossa saúde e acumula-se de forma muito lenta no nosso corpo. Porém, há possibilidade de elevação dos níveis de cobre no organismo ao fim de apenas um ano de utilização do DIU – cada mulher responde de forma distinta, tem um metabolismo próprio, uma alimentação específica, e todas estas coisas fazem com que algumas possam apresentar sintomas de excesso de cobre ao fim de 6 meses, outras nunca, outras apenas ao fim de muitos anos.

A utilização do DIU tende a elevar o número de prostaglandinas e de leucócitos (devido ao processo inflamatório que desencadeia) e os iões de cobre podem inibir processos enzimáticos, levando a um encurtamento da fase lútea ( = menos progesterona) e a um consequente domínio de estrogénio, o que, por si só, já é um estado de propensão para acumulação de cobre (uma vez que o cobre e o estrogénio andam a par), resultando num ciclo vicioso do qual o corpo poderá ter dificuldade em sair.

Há ainda casos em que o DIU apresenta um processo de oxidação e que resulta em algo com um aspeto deste género: diu de cobreSituações destas podem resultar em danos ao nível do endométrio e/ou do útero pelo que deves estar atenta a sintomas que possam surgir. Para além dos riscos de perfuração/expulsão, descargas vaginais, padrões menstruais alterados, ganho de peso, dores menstruais, etc., se tens um DIU de cobre colocado presta atenção a estes eventuais sinais de toxicidade, sobre os quais eventualmente ouvirás pouco em consulta:

  • cefaleias/enxaquecas
  • perda de líbido
  • candidíases
  • queda de cabelo
  • osteoporose
  • zumbido nos ouvidos
  • fadiga
  • dificuldade de concentração (ou em controlar pensamentos) que pode degenerar em elevada irritabilidade
  • estados de ansiedade ou depressivos

Lembra-te que a experiência de cada mulher com o seu contracetivo de eleição é distinta. O que resulta bem com umas, pode não resultar com outras. Um DIU de cobre, apesar de não-hormonal, é um dispositivo externo colocado dentro de ti. Fica atenta a sintomas ou sinais que possam indicar-te que necessitas falar com o teu médico. Por fim, recorda-te que o corpo é teu, a decisão é tua. Seja para colocar um DIU, seja para o retirar, quando quiseres a teu pedido.

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Se achas que o DIU de cobre não é para ti e/ou queres saber mais sobre alternativas não-hormonais, experimenta ler sobre o Método Natural de Fertilidade aqui.

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FONTES: Long-term safety, efficacy, and patient acceptability of the intrauterine Copper T-380A contraceptive device: Blood copper levels in Mexican users of the T380A IUD. Formation of copper oxychloride and reactive oxygen species as causes of uterine injury during copper oxidation of Cu-IUD. Consenso Sobre Contraceção – Soc. Port. Ginecologia e Soc. Port. Med. Reprodução

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