Gerir uma vida saudável

Esta é a primeira parte de um texto, em que abordarei a gestão de tempo e como, ao torná-la mais eficiente, consegui aumentar os meus níveis de energia, produtividade e bem-estar.

Há tempos escrevi sobre a importância de considerarmos a individualidade nas escolhas alimentares. O mesmo se aplica ao presente tema, pois só uma abordagem personalizada contém as soluções adequadas aos desafios de cada um.

Ultimamente tenho-me debruçado sobre outras dimensões da saúde, para além da nutrição. Cada vez mais me interessa perceber o impacto do estado de espírito na saúde, assim como a forma como o podemos afectar de forma positiva adoptando (bons) hábitos/rotinas no nosso dia-a-dia.

Todos nós temos hábitos incutidos, bons e menos bons, mediante os quais realizamos tarefas de forma quase inconsciente. Uma espécie de piloto automático.

E ao que parece, o nosso cérebro beneficia desse estado automatizado, menos energeticamente dispendioso, e tende a preservá-lo.

Assim, desenvolvendo bons hábitos (ou substituindo existentes por outros melhores) e executando-os de forma consistente, criamos condições para que esses bons hábitos sejam integrados no piloto automático. Trata-se de tirar partido da nossa biologia.

Mas como distinguir os bons dos maus hábitos? Obviamente que existem maus hábitos “universais” como os que prejudicam a nossa saúde física, emocional, social e até ambiental. Porém, neste contexto importa distingui-los à luz dos objectivos.

Os bons hábitos são acções (ou conjuntos de acções) que suportam a concretização dos objectivos. Os maus hábitos inviabilizam-nos.

Daí ser fundamental alinhar hábitos e objectivos.

Imaginemos que o meu objectivo é dormir 8 horas. Com dois madrugadores em casa, é impossível levantar-me mais tarde. A única alternativa seria deitar-me mais cedo. A questão é que depois de deitar os miúdos, acontece o “me” time, o “couple” time, o “qualquer coisa de adultos” time…

Ok, então deitamos os miúdos mais cedo. Hmm…um pequeno problema…jantamos seeempre tarde…

Mas será que conseguiríamos jantar mais cedo, fazendo uma refeição mais ligeira, ou adiantando o jantar, ou sabendo de antemão o que vamos cozinhar…? Qualquer coisa que possa poupar tempo.

No fundo peguei num “mau” hábito (deitar-me tarde), identifiquei as acções que o afectavam (fazer o jantar, deitar os miúdos), alterei-as, e criei um “bom” hábito (deitar-me cedo), alinhado com o meu objectivo (dormir 8 horas).

De facto, estabelecendo este tipo de monólogo (em forma de diálogo) obriga-nos a parar, refletir e encontrar soluções.

Assim, o primeiro passo é definir o(s) objectivos (s) e, de preferência, incluindo variáveis que possam ser medidas, como “este ano vou poupar x euros”, “este inverno vou perder x kg”, “vou fazer exercício x vezes por semana”, “este mês não vou comer fora”.

Ao tornar os objetivos tangíveis, facilitamos a avaliação da nossa performance e a possibilidade de os reformular e/ou repensar a(s) estratégia(s) para os atingir.

No fundo, um objectivo pode ser encarado como um projecto, ao qual estão associados recursos e uma lista de acções e tarefas a desempenhar.

Se estás a pensar “ok, mais do mesmo, nada disto é novo”, percebo-te perfeitamente. Tudo isto que estou para aqui a dizer é o mais puro senso comum. Mas é tão senso comum, que não perdemos tempo a ouvir, quanto mais a aplicar.

Talvez te aconteça o mesmo que a mim: um dia ouvi, interiorizei os conceitos e, mais importante, decidi experimentar.

Porque, à semelhança de outras mães que conheço, andei nos últimos anos armada em Super Mãe. Nos meus voos de Super Mãe, sentia um impulso enorme para resolver (quase) tudo e fazer várias coisas ao mesmo tempo.

O facto de tentar seguir uma alimentação saudável, ainda me causava mais pressão.

Mesmo contando com a ajuda do pai (que felizmente está alinhado comigo nesta cruzada), dava por mim a pensar como seria fácil dar-lhes uma sandocha qualquer, em vez de lhes fazer waffles, ainda em jejum. Ou para acabar com a choradeira, enfiar-lhes goela abaixo o raio das gomas do aniversário do amigo. Ou deixá-los comer só as batatas fritas, sem insistir na salada…

Sempre que queria reclamar algum tempo para mim (desenvolver ideias, escrever no blog, fazer ginástica ou simplesmente relaxar) e as crias não me largavam, ficava enervada e insatisfeita. E tentava (em vão) levar a minha avante. Impossível. Eles ganham sempre.

Para piorar, dormia pouco e mal. Mas assim que me levantava, rapidamente metia a super capa e…zuummm…voava para mais um dia repleto de super missões.

E é quando te vês assoberbada por escolhas que são TUAS e que te estão a deixar exausta, azeda, sem pica, insatisfeita, de mau humor, por vezes a responder a despachar às perguntas mais doces das criaturas mais importantes da tua vida…ALTO LÁ! Está na hora de repensar esta história da Super Mãe!

E num momento de bom senso, sabendo eu que o exercício físico tem um efeito positivo tremendo no meu estado de espírito, decidi recomeçar a fazer ginástica.

O exercício é um catalisador de boas energias. No meu caso, é o primeiro dominó que faz cair todos os outros.

Na mesma altura, descobri uns podcasts muito interessantes na área do desenvolvimento pessoal, motivação, empreendedorismo e até nutrição.

E claro…podcasts são como matrioscas. Acabas por descobrir um que achas interessante, que depois te conduz a outro, que por sua vez te leva a outro….até ao infinito. É altamente aditivo!

Apercebi-me que a maioria dos podcasts que ouvia, apontavam para a importância de estabelecer boas rotinas, especialmente ao acordar e ao deitar. Nada que já não tivesse lido/ouvido antes, claro, mas na fase em que me encontrava, soou a revelação.

Decidi que estava na altura de fazer um upgrade do meu software de fakesuperMom3.8 para realsuperAndrea3.9. Queria sentir-me mais realizada, confiante, grata, enérgica,…presente.

E por onde comecei?

Aguarda pela parte II.

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